Colocar o bloco dos trabalhadores nas ruas contra o governo e sua política econômica, a oposição burguesa e os patrões

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Plenárias sindicais e populares nos estados em agosto vão preparar as lutas. Reunião abre discussão sobre um ato nacional em setembro

Mais de 250 pessoas, de nove estados e o Distrito Federal, 65 organizações sindicais, populares, estudantis, políticas e partidárias participaram nesta quinta-feira (30), da plenária sindical e popular convocada pelo Espaço de Unidade de Ação, que ocorreu na quadra do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

A reunião foi marcada pela representatividade das várias entidades. Histórica e importante teve o objetivo comum de definir estratégias para armar os trabalhadores e indicar ações e perspectivas diante da crise política.

Uma proposta de manifesto foi apresentada pela Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas e distribuída aos presentes como texto base de discussão.

As principais deliberações que constam no manifesto são a realização de plenárias sindicais e populares nos estados já no mês de agosto; fazer uma disputa política pela construção de um campo de classe para organizar as lutas e que seja alternativo aos dois blocos políticos de situação e de oposição ao governo; uma campanha em defesa dos direitos políticos dos partidos de esquerda ameaçados pela contrarreforma política e indicar para o mês de setembro uma ação nacional unificada com todos os setores dispostos a essa unidade.

Ainda nesta sexta-feira (31) a íntegra do documento será divulgada no site da Central.

Um rico debate apontou o caminho da luta independente dos trabalhadores

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A mesa da reunião foi coordenada pelo dirigente do Andes-SN, Paulo Rizzo, Eugênia Martins, do Sinasefe, e Janaina de Oliveira, da Anel, que abriu para as falas do plenário que democraticamente elencou os diversos desafios que estão postos.

Derrotar o ajuste fiscal e o PPE

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No manifesto é destacado que a crise está sendo empurrada para os trabalhadores por meio de medidas que atacam direitos. O PPE (Plano de Proteção ao Emprego) apresentado pelo governo é um deles e é apoiado pela CUT e Força Sindical, centrais que deveriam defender direitos trabalhistas e estão jogando o jogo do governo.

“Para além dessas questões, o grande tema que perpassa a realidade é a crise do governo, que combina as crises econômica e política, as denúncias de corrupção, o repúdio da população ao governo e ao PT, e a necessidade de construir uma alternativa dos trabalhadores a esse governo”, avaliou Cacau Pereira, da CSP-Conlutas.

Não nos representam

Existem dois blocos que disputam a consciência da classe nesse cenário: o bloco de oposição, capitaneado pelo PSDB e a direita tradicional, e o bloco governista, que se diz de esquerda, mas atua para blindar Dilma. A oposição burguesa está chamando um ato para o dia 16 de agosto, e setores que querem proteger a Dilma uma manifestação no dia 20 do mesmo mês, junto a outras organizações não governistas.

“Nem um nem outro são alternativas para a nossa classe. Se for para blindar a Dilma, como querem e estão anunciando a CUT, PT e PCdoB, o dia 20 se voltará contra a classe trabalhadora. Temos que ir além e começar a construir um polo que seja alternativo a esses dois blocos”, salientou Cacau, acrescentado que a reunião tinha esse objetivo, colocar o bloco dos trabalhadores nas ruas.

O descontentamento com o governo Dilma (PT), que em pesquisa recente obteve apenas 7% de aprovação por parte da população, chama tanta atenção quanto os 30% que não acreditam que Aécio Neves (PSDB) é alternativa, avaliou a estudante e integrante da Anel, Janaína Oliveira. Helena Silvestre, do Luta Popular, destacou a massiva presença de companheiros das ocupações na plenária. Pontuou a importância desse espaço e a disposição em contribuir. “Mas precisamos estar claramente num campo antigovernista. O jogo que tem sido feito é das duas possibilidades: ou o dia 16 ou o dia 20; precisamos construir outras possibilidades e com os trabalhadores, isso é possível”, avaliou.

Plenárias nos estados para preparar as lutas rumo à greve geral    

Miguel Leme, do Bloco de Resistência Socialista, também citou o documento e disse que a tarefa que está posta é “construir as plenárias nos estados que culminariam com uma ação nacional e a construção de uma greve geral”.

A realidade sentida na pele do trabalhador    

A necessidade de colocar já os trabalhadores nas ruas foi levantada pelo operário do Comperj, Alexandre Lopes. Ele esteve presente junto a uma delegação em uma audiência de recuperação judicial em São Paulo, para tratar do pagamento de verbas rescisórias, cujo atraso é de oito meses. Revoltado com sua situação e de seus companheiros foi enfático: “Vocês precisam sair daqui com uma ação concreta. Essa fala é de um pai, chefe de família e trabalhador. Estou aqui expressando minha ira contra esse sistema capitalista que está destroçando todos nós”, desabafou.

Rapozão, da Ocupação Jardim da União, disse de sua dificuldade diante da crise. “De seis anos para cá eu não consigo nem respirar porque o PT não deixa. A situação pode piorar, porque dentro das ocupações já não tem saúde, educação e ainda estão derrubando as casas”, destacou. Apesar desses ataques há disposição de luta, disse o militante. “Lá na zona sul não vamos dar sossego para eles [governo]”, afirmou, completando que vai lutar com garra pelo direito a uma vida digna.

Greves pelo país  

As greves que estão hoje varrendo o país, dos servidores públicos federais, assim como as campanhas salariais do próximo período também foram abordadas como pontos importantes de mobilizações a serem impulsionadas.   Paulo Rizzo, do Andes-SN disse que a greve na Educação e do conjunto dos servidores era contra o governo para além outras questões da categoria. “Não estamos em greve só por salário, mas sim contra o ajuste fiscal. É insustentável que todo o ônus da crise recaia sobre a crise dos trabalhadores”.

Formar massa crítica  

Outros desafios estão postos e é preciso formar e preparar a classe avaliou o dirigente do Sinasefe Davi Lobão. “Temos dois grandes desafios. O primeiro é o enfrentamento da crise e quais alternativas que os trabalhadores devem tomar para esse combate. A outra é massificar a luta contra a dívida pública. Não conseguimos traduzir isso ainda em ações concretas. Só assim nos desprendemos das amarras e mudamos esse país de fato.”

É preciso romper com o governo  

O chamado para que as centrais rompam com o governo foi feito pelo dirigente da CSP-Conlutas, Paulo Barela. “A CUT, a CTB, a Força estão vendidas e entregues a projetos que atacam direitos.  Fazermos um chamado a que essas organizações rompam com o governo e construam conosco a greve geral.”

Um minuto de silêncio  

Ao final da reunião foi feito um minuto de silêncio em homenagem ao companheiro, Vito Giannotti, que faleceu no último sábado (25). Os presentes destacaram sua combatividade e luta travada pela comunicação contra-hegemônica e a serviço dos trabalhadores. Vito, Presente!

Fonte: CSP-Conlutas

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